terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma questão de Cultura (Debate - Sociologia da Comunicação)

Enriquecimento ou obstáculo? Tolerância? Fecho à disponibilidade de descoberta da sabedoria? Haverá espaço à diferença? A diferença e a diversidade cultural farão parte do nosso código genético?



O objectivo é vermos os diferentes pontos de vista ao nível cultural.
As etnias, as religiões, a educação, o nível económico, os espaços, permitem-nos perceber como é importante existir uma brecha à diversidade, já que cada sociedade se rege pelas suas regras e assim não se podem fazer juízos de valor, estando agarrados às nossas bases culturais, pois caso contrário jamais percepcionamos de uma forma descomprometida uma sociedade diferente da nossa.
As diferenças culturais são uma benesse para a aproximação ou repulsa social?
A primeira atitude baseia-se especialmente na rejeição, mas quando nos permitem e nos permitimos à sua transposição deste desconhecido que é o “outro cultural”, ou seja, a imagem, a aparência e o pré-conceito, a inflexibilidade, conseguimos receber e absorver a cultura que nos é “estranha” de uma forma mais natural.
O estereótipo, a norma social condiciona a nossa atitude face ao outro, pois pré-concebemos uma representação mesmo que impensada sobre o outro.
Segundo se referiu com um certo afinco em parte do debate, a cultura ocidental vê as outras culturas como inferiores. Por debaixo desta ideia estão subjacentes certamente questões como o desenvolvimento económico e social da cultura ocidental face a outras culturas, consideradas subdesenvolvidas e com carências explícitas e diversas.
Mas qual a sociedade mais pobre a nível cultural?
Aquela que se fecha por se sentir superior? Ou aquela onde se abre espaço ao conhecimento de outras na procura da convergência e da globalização a nível social e cultural?
“Somos um povo racista” disse-se por momentos. De que racismo falavamos?
A diferença e a diversidade cultural têm como essencial características o facto de existirem “regras diferentes” e “as pessoas serem diferentes”!

A evolução felizmente permite que cada vez mais deixe de existir o desconhecido e se desenvolva com fluidez o reconhecimento cultural.
Uma nova cultura torna-se um desafio à descoberta para o indivíduo, embora esteja segundo variadas opiniões no debate de hoje, mais receptivo, mais à vontade, mais protegido se estiver no seu espaço natural, rodeado da sua “cultura mãe”.
O mais importante é darmos oxigénio ao intercâmbio.
No entanto, quando se está num ambiente minoritário, há quem defenda que nos sentimos constrangidos e bloqueados à recepção cultural, embora assistimos ao colocar em causa, se não se encontra uma premissa de integração e abertura social numa situação minoritária. O facto de nos encontrarmos sozinhos noutra sociedade e obviamente noutra cultura pode fazer com que nos tornemos activos e sigamos na procura do desconhecido.
Um emigrante tem de partir à conquista no país onde se posiciona e não o contrário tão obrigatoriamente.
“O racismo físico está a ser colocado de lado”, afirmou-se ao longo do debate, pois dá-se mais realce as diferenças psicológicas, embora jamais de uma forma violenta e extremista.
Um factor importantíssimo que se encontra como um bloqueio ao conhecimento e à percepção de outras culturas, é a exagerada ligação que se encontra intrínseca ao indivíduo no que diz respeito à sua própria cultura. Dá-se um fechamento cultural. As principais razões são geralmente as questões económicas e os objectivos de quem procura outra cultura. No especial caso dos emigrantes, verifica-se que as suas principais motivações e forças de conhecimento cultural do país que encontram são aquelas que estão intimamente ligadas aos possíveis dividendos, uma melhor qualidade de vida, e não propriamente a deliciosa gastronomia ou a dança típica daquela pátria que o acolhe.
A comunicação aí encaixa-se como a essencial ferramenta de trabalho, e não tanto a comunicação da cultura e o desenvolvimento de relações interpessoais.

O racismo que ainda existe, quais as características?
O que nos leva a separar do outro?
O racismo já está naturalizado a um tal ponto que é como que se estivesse incorporado na nossa “pessoa”. “Vem desde a educação que recebemos de uma forma inata” (exemplos: programas cómicos na comunicação social como os “Malucos do Riso” com piadas sobre; “os negros nas obras”; “as loiras burras”; “os alentejanos”…).
É um racismo inconsciente.

Por outro lado, podemos encontrar benefícios na diferença. Encontrar a diferença é significado de atenção na razão do indivíduo e na que vai sendo uma educação progressiva na adaptação à diversidade. Enriquece-nos, como seres racionais, como pessoas de sentidos emocionais e que se deixam evoluir.
Devemos ver o mundo como ele é e aprender com as mais diversas culturas todos os dias com tantas coisas boas que têm. “As diferenças só nos trazem coisas vantagens/enriquecimento pessoal”
Mas que esta realidade se verifique é necessário que acabe com as barreiras.
“A mistura do dia-a-dia é natural, mas ainda poderemos fugir desta tendência? A convergência que se sente e vê é inevitável.
Nós próprios somos uma mistura cultural. A nossa cultura será pura ou muitas numa que se diz portuguesa?
As práticas culturais de hoje são o resultado de séculos de partilha, mesmo que não propositada.

Acrescenta-se porém a problemática da auto-exclusão cultural e social. Sente-se medo da não aceitação da cultura que vivem nas suas sociedades naturais. Aqueles que se auto-excluem procuram assim passar despercebidos e deixam-se cair no anonimato. Há o receio da rejeição por parte do outro que desconhece as práticas sociais em que foi educado e onde depositaram todos os seus valores e ideologias mais profundas.
Esta abertura depende sempre do indivíduo. E tem de se procurar não superlativar a nossa cultura à dos outros. O isolamento é arrogância, ignorância e limitação à sabedoria.
Então surge uma questão com grande importância: “Até que ponto na nossa cultura damos, sem pedir nada em troca?”, “Estamos receptivos ou somente defensores do que acreditamos?”.